
“E quando minha filha nascer, eu lerei todos os livros de Conto de Fadas que nunca leram para mim, vou ensiná-la que príncipes existem, sim. Mas não como nas histórias em que lerei a ela toda a noite. Ele existe, e está esperando por ela, um dia. Vou lhe dizer que ele, o príncipe, não precisa se vestir sempre formalmente, ele não precisa ser o homem mais bonito do mundo. Não, necessariamente, precisa ter um carro ou um cavalo branco, ou uma espada. O príncipe encantado pode até magoá-la, machucá-la no início sem você entender o motivo, mas depois ele se arrepende, te pede desculpas e, como promessa, te diz fazer as coisas certas dessa vez. E cumpre com a promessa. Ela poderá perdoá-lo, se souber que é de coração, porque seu príncipe terá defeitos também, assim como ela. Ele não precisa dizer que a ama a todo instante, não; se ele provar que a ama, ela sempre poderá confiar nele. Ele não vai aparecer do nada, nem será fácil conquistá-lo. Vou lhe mostrar que nem sempre tudo vai dar certo, porque a princesa e o príncipe podem ser o casal mais perfeito do mundo, mas são diferentes, ao mesmo tempo. Eles, simplesmente, se completam, mesmo que demore bastante tempo para perceber isso. E se no final da minha explicação ela perguntar se um dia eu encontrei um príncipe, eu vou responder sorrindo que encontrei depois muito tempo, mesmo sem sequer procurá-lo. Vou contar que ele estava comigo desde pequena, brincando nos parques da cidade, só que nunca percebi que seria ele. E se ela perguntar quem é, vou lhe dizer que ela pode continuar chamando-o orgulhosamente de pai.”
(Careful)